Vitor Cunha – Alomorfia – DFB Festival 2022

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O IMAGINÁRIO
Planeta azul. O que reside nos portais ocultos deste que é lar de milhares de espécies? O que há no campo magnético dele, que não conseguimos ter acesso? Cientistas descobriram milhares de espaços ocultos dentro da Terra, e acreditam haver trilhões mais. Se o que conhecemos da vida existe em apenas uma fração dela, então a vida aqui, deve ir muito além do que imaginamos. As formas de vida das quais temos conhecimento possuem em comum as necessidades de alimentação, nutrição, reprodução, sobrevivência e evolução. Se tomarmos como base tais leis, e aplicarmos ao resto desses espaços, é possível imaginar o que seria a vida em outras dimensões e refletir sobre a importância que cada organismo desempenha direta e indiretamente em nossas vidas. Como os insetos, por exemplo, que são altamente necessários para a reprodução de plantas, assumindo papel econômico importante na agricultura, como também ecológico e médico, além de atuar no controle de pragas e serem indispensáveis para o equilíbrio ecológico.
A Anisoptera, conhecida como libélula, faz parte da lista de insetos predadores que auxiliam no controle biológico de pragas. Além do seu papel importante na natureza a libélula tem um antepassado bem peculiar. É uma criatura de grande beleza e fragilidade que pertence a este planeta há muito tempo, inclusive antes do surgimento do ser humano como espécie e sua existência data do período Carbonífero.
Estudos apontam que, neste período, as libélulas possuíam uma grande envergadura e suas asas atingiam até 90 cm. Se caracterizava como uma espécie capaz de evoluir mais que a espécie humana, porém, devido ao seu papel importante no meio ambiente, não foi possível prosseguir essa evolução, resultando em uma redução significativa de seu tamanho, até chegar ao padrão estrutural que conhecemos atualmente.
Como seria se elas pudessem, hoje, dar continuidade ao seu processo evolutivo primário? E se houvesse um universo paralelo ou uma dimensão escondida na qual essa evolução se fez possível? Se pudéssemos espiá-los por entre os vácuos e portais ocultos, o que veríamos ? No universo que criamos aqui, a alta potência magnética concentrada em um único espaço, propicia rápidas alterações climáticas e temporais a cada momento em que um portal é aberto. E ao atravessar o portal a realidade é outra, as libélulas assumem a forma de Alomorf, um ser movidos pela necessidade de aclimação em curto prazo e dotado de um ciclo de vida duradouro e desafiador, necessitando de vestimentas que possibilitem adaptações constantes.
A libélula é o ser ciente das dimensões ocultas da terra e que tem acesso a elas. Que transita livrementepelos segredos do inteligível. Que sai do plano comum a nós e vagueia por uma dimensão na qual pode assumir a evolução que é própria de si, passando por um ciclo de vida muito próprio e diferente do que conhecemos e aspiramos em nossos sonhos de igualdade e justiça. “Onde criador e criatura são o mesmo ser!”
O REAL
Em meio a um período de grandes acontecimentos e constantes alterações em nosso ecossistema, como mudanças climáticas, viagens exploratórias a outros planetas, descobertas científicas inovadoras, o fenômeno do COVID-19 e tantos outros fenômenos, nasce a coleção Alomorfia, do estilista Vitor Cunha, que absorve os dilemas de sua realidade e os transcreve num projeto de criação ímpar.
Vencedor de concursos como Ceará Moda Contemporânea 2018 (segundo lugar e prêmio por excelência), Concurso Você no São Paulo Fashion Week 2019 (primeiro lugar), Ceará Moda Acessível 2020 (segundo lugar) e Concurso Inova Denim 2021(primeiro lugar), o cearense Vitor Cunha marca presença novamente no DFB Festival.
A coleção traz como proposta a imersão em um novo mundo, e a vestimenta acompanha o caráter multifásico da criatura que habita nessa realidade imaginada, resultando em peças de recortes diferenciados, shapes que transitam entre modelagens retas, justas e oversized, valorizando os movimentos do corpo. A assimetria da forma, comum ao womenwear, ganha versão masculina na coleção, reforçando o conceito de
fluidez de gênero, que o estilista defende em seu trabalho autoral.
Destaque para a forte presença de técnicas manuais como o crochet freeform e o macramé, reinterpretados em peças com approach urbano e experimentações em pintura na técnica do graffiti, com o Ateliê Nave de Viagens Virtuais, de Hirlan Moura. Além de design atrelado ao conforto e sustentabilidade, através da reutilização dos resíduos têxteis da própria coleção para a confecção dos calçados, em collab com a marca Aurea Inspira.
*Apoiadores*
Galpão 661
Santana Textiles
Lojas Potyguar
Tecidos constância Vieira
Áurea Inspira
Hirlan Moura
Ednísio Barbosa
Joy Oliveira
Rene Barbosa
Graziela
Casa dos cordões
Circulo produtos
Nail poles
Bena têxtil
Define design
Almemk
Ponto da moda
Luis Butrago
Inglob
Sou de Algodão
Dayane Fernandes
Michele Cruz

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