Dia de novos e velhos hábitos

O segundo dia da SPFW N42 foi um reflexo dos novos tempos na Moda e no mundo dos negócios!

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O segundo dia da SPFW N42 foi um reflexo dos novos tempos na Moda e no mundo dos negócios!

Embora ontem tenha acontecido o primeiro desfile desta edição da SPFW N42, o evento “começou para valer” com desfiles desde as 10:30 da manhã e se estendendo até as 22h.

O novo e o “maduro” se cruzaram neste segundo dia. E isto é um reflexo dos novos tempos da Moda brasileira.

O desfile da manhã foi de uma marca que está chegando ao mercado agora, a “À La Garçonne“. Embora ela pertença ao namorado do estilista Alexandre Herchcovitch, é Ale quem assume a direção criativa. Alexandre usou muitos dos elementos que adora e que já conhecemos, como a modelagem vinda da alfaiataria aplicada a um design esportivo. Mas é possível sentir uma criação menos compromissada, muito mais leve. É difícil traduzir em palavras. Mas sabemos que é um peso para o designer a cada seis meses criar tudo absolutamente novo e agradar a clientes, investidores, tudo ao mesmo tempo!

Sendo assim, embora Ale seja “véio de guerra” está vivendo um novo momento e a À La Garçonne surge como novidade. A marca trouxe peças que mostram bem o conceito da “moda sem gênero”.

O que não é novidade é a dificuldade em assistir aos desfiles de Alexandre Herchcovitch, que foi marcado para ser no MASP e com uma lista muito restrita de convidados. Quem ama o trabalho do estilista fica sempre decepcionado com a falta de interatividade dele. Uma pena!

Logo em seguida Reinaldo Lourenço apresentou sua coleção, como sempre, fora do ambiente geral da SPFW. O estilista ficou por anos a fio apresentando seus desfiles na FAAP. Desta vez, ele utilizou o Teatro Santander, do Shopping JK Iguatemi.

Reinaldo se mantém fiel ao estilo sisudo que é traduzido para vestir mulheres mais jovens. Sua alfaiataria é sempre coberta por estampas diversas. E sempre há uma dosa de listras e um toque esportivo também. Uma fórmula que não muda. As estampas mudam, é claro, mas a fórmula é sempre a mesma. Ruim? Não sabemos. Enquanto ele estiver agradando as clientes e conquistando novas, talvez seja bacana “manter-se fiel a seu estilo”.

O fato é que Reinaldo não agita o evento, mas ajuda a trazer força e credibilidade.

Patricia Viera é outra veterana que tem sempre um momento muito particular. Embora a estilista não seja das mais antigas no evento, ela é a maior referência no trabalho com couro pois faz isto há algumas décadas.

Quem apenas olha rapidamente pelas fotos do desfile sem se atentar aos detalhes, pode achar que é tudo sempre parecido. Acontece que Patrícia inova muito nas técnicas que utiliza para trabalhar o couro. As novidade de suas coleções são sempre muito técnicas. Então, se não souber criticar por falta de conhecimento, apenas admire! Seus desfiles não causam muito alvoroço no evento. Mas é inegável que seu trabalho é um dos mais conceituados do line up.

Daí o dia é encerrado com o desfile da marca LAB que, definitivamente, é a tradução dos novos tempos da Moda nacional.

Encabeçada pelos cantores Emicida e Fióti (que, aliás, são irmãos) a LAB começou como uma linha de camisetas das bandas que a Lab Fantasma fazia para vender durante os shows e arrecadar mais verba. A Lab Fantasma é o selo e gravadora dos irmãos já citados, que foi criada para alavancar novos nomes do rap nacional.

O desfile e a coleção apresentada são um reflexo dos novos tempos. Batizada de “Yasuke” a coleção traz elementos da cultura oriental junto com modelagens streetwear. Apresentadas na passarela por modelos dos mais variados estilos – negros, brancos, gordos e magros – a marca confirma que veio para agregar, unir e misturar.

Os donos da marca, em especial o cantor Emicida, se popularizaram por tratar da realidade em suas músicas, o que os fazem serem muito próximos do público que os segue. O desfile que foi apresentado segue esta linha e agrada. Emicida comanda o desfile cantando ao vivo e conduz o público durante e após o mesmo.

A nova geração de compradores de Moda sente a necessidade de estar próxima das marcas que a representa. Humanidade nunca é demais. E, principalmente, verdade. Ficar estagnado sempre nas mesmas ideias e mostrar referências que estão muito longe da realidade destes jovens definitivamente é algo que não agrada.

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