O estilista cearense Vitor Cunha se apresenta pela primeira vez no Dragão Fashion Brasil. Vitor é estudante do 3º semestre de Design de Moda da UniAteneu e conquistou o 2º lugar no concurso Ceará Moda Contemporânea e o Prêmio Design Excelente, em reconhecimento a critérios como assiduidade e profissionalismo.

Vitor colocou na passarela um belo cruzamento entre a história de jangadeiros cearenses e sua própria história. Ele também fez uma digna homenagem ao trabalho manual colocando na coleção peças construídas em macramê.

A coleção leva o nome de “Mar interior” e conta a história de quatro jangadeiros – Jacaré, Jerônimo, Mané Preto e Tatá, que zarparam de Fortaleza rumo à então capital da República, Rio de Janeiro, para tentar um dedo de prosa com o presidente Getúlio Vargas. Era setembro de 1941, Estado Novo.

Na pauta, a dura realidade e os ganhos ínfimos dos pescadores da Colônia Z-1, a mais antiga colônia de pesca do Ceará. Jacaré e seus companheiros aportaram na Baía da Guanabara, em pleno 15 de novembro.

Na mesma época, desembarcava no Brasil o já icônico cineasta norte-americano Orson Welles, com uma câmera na mão e um universo tropical por descobrir, incluindo a fantástica saga dos jangadeiros que cruzaram o litoral brasileiro para falar com o ditador do Estado Novo.

A história virou tema do documentário que Welles então preparava, mas teve um final trágico: durante as filmagens, o mar bravo da Barra da Tijuca virou a jangada e, dos quatro cearenses, seu líder, Jacaré, sumiu no Oceano, para nunca mais aparecer.

Orson Welles, abalado, deu por encerrada a produção. Nascia ali, uma mitologia contemporânea e inesperada: a narrativa heróica de quatro jangadeiros cearenses, símbolo de consciência de classe, de resistência e de um fazer político ingênuo, porém poderoso.

A saga de Jacaré, Jerônimo, Mané Preto e Tatá permeia o espírito da coleção de estreia no DFB Festival 2019 do cearense Vitor Cunha.

Vitor apresenta uma coleção de perfume neutral gender, inspirada na mitologia dos jangadeiros, mergulhando fundo em seus códigos de vestir e seus costumes.

Das jangadas, a cartela de cores parte do off white das velas e do vestuário dos pescadores para submergir em  tons complementares, pincelados de uma foto aérea das falésias e do mar de Canoa Quebrada: nuances de azul, céu, areia e laranja-queimado.

Em terra firme, após dias além da linha do mar, os jangadeiros descansam em redes de dormir, daí a opção por peças de forte presença do handmade, com ênfase no macramê, feito a partir dos cordames de algodão das redes que são sinônimo de cearensidade.

Macramê reinterpretado de maneira orgânica em peças com approach urbano, criadas a partir de releituras de t-shirts, regatas e calças, a partir do uso consciente de resíduos de corda em 100% algodão.

Para confeccionar as peças da coleção apresentada no DFB Festival 2019, foram utilizados cerca de 15kg de corda de algodão.

A silhueta de Vitor Cunha tem shape reto, boxed e oversized, destacando os movimentos do corpo. A assimetria da forma, comum ao womenswear, ganha versão masculina na coleção, reforçando o conceito de fluidez de gênero, que o estilista reforça em seu trabalho autoral.

As peças em crochês foram desenvolvidas em parceria com a marca Jô de Paula.

Nos acessórios, chapéus em palha e pocketbags, além de cintos em 100% macramê, maxibolsas com fundamento utilitário e óculos em mdf e cordames de algodão, tudo desenvolvido exclusivamente por Vitor e equipe de colaboradores. Viseiras com detalhes que lembram varandas de rede (detalhes franjados típicos) reverenciam o sincretismo do adê, espécie de adorno típico do candomblé, que também permeia a cultura da pesca no Ceará.

O compromisso com o fomento de uma moda mais sustentável, surge através da inserção de elementos de reuso e aposta forte em artigos de origem natural, como fibra de juta e brim.

Bases
Linho Viscose in Natura
Malha Linen
Tecido Panamá

Aviamentos
Zípers (Sob medida)
Puxadores
Botões
Prendedores
Fivelas
Ponteiras
Cordas (diferentes espessuras)

Calçados
Borracha
Fibra de Juta
Tecido Brim
Cordão de Algodão
Argola e ponteiras de madeira.

Bolsas
Prendedores
Vinil
Corda (100% algodão)
Zíper
Friso
Resíduos de corda

Ficha técnica:
Vitor Cunha • Mar Interior • DFB Festival 2019
Consultoria Criativa: Charles W.
Acessórios: Aurea (Sandálias) • Senhorita Lana (Bolsas e Chapéus) • Pochetes (High Five) • Óculos (Gama Casa de Arte para Vitor Cunha)
Trilha Sonora: Tanq
































 

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