Qual o futuro da futilidade pública?

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Desde que decidi trabalhar com Moda aos 12 anos de idade comecei a enfrentar um dilema que rapidamente foi apresentado por todos a minha volta: Moda, afinal, lida com o quê? Fazer e falar sobre Moda é futilidade? Essa onda mundial de endeusar um grupo de blogueiras serve para quê e vai parar onde?

Resolvi falar um pouco sobre Moda e essa tal futilidade depois de receber por 3 semanas seguidas material de assessorias de imprensa renomadas mostrando a parceria de seus clientes (mais renomados ainda) com blogueiras do mundo todo para lançar produtos.

A internet é um campo livre, mas nunca neutro! Digo isso porque podemos encontrar e publicar qualquer coisa que quisermos na internet (isso faz dela um campo livre), mas podemos facilmente ser influenciados pelo o que encontramos (isso faz com que ela deixe de ser neutra).

Aqui no Brasil conhecemos uma série de blogs que começaram despretensiosamente a mostrar a opinião livre de suas criadoras e, por mérito, essas blogueiras se tornaram conhecidas por seu estilo único (tanto na maneira de se vestir quanto na maneira como conduzem seus blogs). Blogs como o da Lala Noleto, da Camila Coutinho, da Carla Lemos, entre outras, ficaram conhecidos em todo o país e suas criadoras aos poucos começaram a extrapolar os limites dos bits e bites da internet. Elas começaram a integrar ações publicitárias fora da rede. E essas ações passaram a ser divulgadas em seus famosos blogs.

Mas… espere aí! Se as ações pagas começaram a ser divulgadas nos blogs, qual a legitimidade disso? A partir do momento que a pessoa está sendo paga para divulgar determinado serviço ou produto, será que a opinião da blogueira continua sendo válida?

Fico me questionando sobre este assunto.

Por exemplo, há algumas semanas a Lala Noleto integrou o Catálogo Social da Marisa. Será que a blogueira em questão veste mesmo peças da Marisa ou só o fez para o novo catálogo interativo da empresa? Atualmente, no blog dela a última postagem mostra um ensaio da Sabrina Sato para o carnaval. O encontro entre blogueira e apresentadora se deu com a ajuda da Gillette Venus. Mais uma ação paga.

Lala se descreve assim: “leonina com ascendente em aquário. Adora moda, cultura pop, cachorro-quente e gente bem humorada. Com sotaque e dicionário próprio, divide aqui suas ideias de moda, beleza e futilidade pública”.

Já Camila Coutinho criou o blog “Garotas Estúpidas” e descreve a criação do blog assim: ” A intenção sempre foi dividir com as amigas as novidades de moda, beleza e celebridades, sem ninguém que atrapalhasse dizendo que aquilo era tudo bobagem ou futilidade sabe? É assunto de menininha? Sim! Então deixa a gente livre pra assumir o tal lado “stupid girl” sem ninguém encher o saco!”. Pois é. De lá para cá ela protagonizou campanhas publicitárias de marcas como Corello e Pat Bo e foi destaque na abertura da loja Forever 21 do RJ nesta semana.

Por um lado, é bom que elas admitam mesmo que seus blogs lidam com as futilidades do dia-a-dia, sem preconceitos.  Ah, chega desse “nhé nhé nhé” e vamos falar de maneira franca. 

Futilidade: s.f. Característica ou particularidade de fútil; caráter daquilo que é fútil. Característica de quem dá importância ao que é superficial. Coisa irrelevante; objeto de ocupação de quem é fútil; insignificância. (Etm. do latim: futilitas.atis) Sinônimos de Futilidade: bagatela, banalidade, frivolidade, insignificância, ninharia, trivialidade e vulgaridade.

Por outro lado, devido ao grande alcance do que elas dizem e colocam como “verdadeiro” em seus blogs, ajuda a desconstruir a imagem de mercado sério defendida por anos por entidades como ABIT e ABEST, veículos como BOF (Business of Fashion, página sobre Moda do jornal The New York Times) e grandes grupos de Moda como Marisol, Alpargatas e Morena Rosa.

Então, me pergunto: Como um mercado inteiro pode se mostrar como sério sendo que as maiores divulgadoras dele se dizem “fúteis”, sem preconceitos?

Difícil…

Outra pergunta que me faço: Qual o futuro de tudo isso?

Ou seja, qual o futuro dessas garotas? Qual o futuro do mercado “fútil” de Moda (quando será que ele vai começar a ser levado a sério de verdade)?

 

 

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É osasquense e formada em Negócios da Moda, com especialização em Figurino (MAM-SP). Eva também faz parte do programa 10.000 mulheres, (FGV) e é conselheira de Cultura voluntária em Osasco. Atua há 15 anos no mercado de Moda realizando consultoria de Negócios e produção de figurino em shows internacionais, como: MDNA, Lady Gaga, Roger Waters, Britney Spears, Aerosmith, U2 360º, Batman Live, Stomp, Pearl Jam, Metallica, AC/DC, Rush, Bon Jovi, Guns’n Roses, entre outros.

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