“A viagem:

Em um bote a deriva em alto mar começo a ouvir canto das gaivotas, percebo que eu vou me aproximando de ilha muito bonita com cheiro de flores e água salgada… o barulho da ondas quebrando na areia e nos pedaços de pedras lisas a beira do mar….vou me aproximando da areia…

O bote atraca e vou entrando floresta adentro sentindo uma sensação de hipnose, vou deixando a praia passando por árvores e coqueiros…

O canto dos pássaros vão ficando mais aguçados e o barulho das ondas vai ficando mais longe….

O cheiro de floresta molhada e pouca fria me alivia do calor que vinha sentindo em alto mar…. olhando a frente, vejo um córrego que cai no mar de cima de um penhasco, o barulho das ondas batendo nas pedras aumenta…. fecho os olhos e mudo de direção.

Quando me vejo novamente, eu já estava no meio da floresta… tudo era verde…

O canto dos pássaros, grilos, sapos acompanhando o som de um córrego de águas bem geladas e cristalinas…. eu estava me sentindo ali em outra dimensão. Sem entender nada, parei e me sentei. Comecei a olhar em volta tudo parecia surreal… me perguntava se alguém habitava aquele lugar paradisíaco.

Sigo em frente muito curioso de ver o que havia mais a frente. Do alto me deparo com uma outra floresta linda, já não eram coqueiros e sim árvores antigas…Cheia de araras, papagaios e pássaros exóticos, que cantavam alto e cada um comandando o seu bando.

Me sentei neste lugar onde via toda aquela imensidão verde. Comecei a ouvir a natureza…. uma mistura de todos os sons daquela ilha… o vento, as ondas, os pássaros, insetos, sapos…e de repente um som misterioso…sinos tibetanos tocavam e não sabia de onde vinham…mas soava na ilha toda….o som acalmou meu medo e ali adormeci tranquilo”.

É com este clima que a cearense Gisela Franck convida a todos a conhecer sua nova coleção.

O quinto desfile da marca autoral de Gisela no DFB vem cheio de marcas pessoais de Gisela. Ela mesma diz que a “inspiração nasce sempre de algo que me emociona”. É nas sutilezas que o trabalho de Gisela Franck se faz consistente.

Sua inspiração começa após visita a exposição “Raiz” do consagrado artista chinês Ai Weiwei na Oca – Parque Ibirapuera, em São Paulo. “Lá, me emocionei com várias obras e com toda sua grandeza como ser humano e artista, e com uma obra em especial, “Cesta de Bicicleta com Flores em Porcelana”. Quando Ai Weiwei foi detido em 2011, as autoridades chinesas confiscaram seu passaporte e ele foi submetido a um contínuo monitoramento. Ele então anunciou que começaria a colocar um buquê de flores diariamente na cesta de sua
bicicleta do lado de fora de seu estúdio. “Cesta de Bicicleta com Flores em Porcelana” recria esse gesto do artista.

Este gesto foi interpretado como um gesto de amor por Gisela. “Esse foi o ponto de partida, mas percorri e vivenciei muitos outros momentos que foram se conectando com laços em um único fio, que resultaram na vontade de partir do início, do genuíno, do cru, do natural, de nos conectarmos mais com a natureza e sentir. De dar e receber, amor,
natureza”.

Gisela gosta de moda a outras artes. Por isso ela convidou a tia, Vania Franck, que é paisagista, a “menina dos dedos verdes”, para colocar mais amor e poesia na passarela. Com flores naturais desidratadas e toques sutis de aroma e vapor no ar, transformou o desfile num jardim vivo.

Para enfeitar o jardim, a chapeleira talentosíssima, Jomara Cid (@jomaracidchapelaria) resgatou raízes junto com o trabalho feito a mão do Seu Severino, artesão. Eles usaram palha de carnaúba e fizeram o jardim ainda mais florido.

A Designer de moda e professora de bordado, Juliana Farias (@transbordandoatelie) transformou bordados em emoções.

A trilha sonora criada pelo Caca Malloy, que é amigo de Gisela.

A delicadeza e a sutileza das formas orgânicas e a transparência da gaze de linho puro, são os pontos altos da coleção e aparecem em peças que remetem a leveza de verdadeiras ninfas.

Ninfa é conhecida como a divindade que habita os lagos, florestas, bosques, rios, montanhas e demais ambientes da natureza, de acordo com a mitologia grega. As ninfas são a personificação da fertilidade da natureza e, por este motivo, são representadas sempre por seres do sexo feminino. As modelos aparecem de pés descalços e cabelos soltos, representado toda a naturalidade e conectividade com a natureza.

A cartela de cores em tons de terra, cru e off remete à cor natural, crua.

“Esse jardim foi semeado por várias mãos e, representa algo muito gratificante para mim: essa troca de forças, de conhecimento, de ideias e, principalmente, de amor pelas mãos da minha modelista que cria e idealiza junto comigo, Paula Menezes, da Teti, do Kevyn, da Lu, da Tia Vânia, da Linoca, da Jomara, da Juliana, do Nic Gondim, da Helena, do Claudio Silveira e de toda a equipe do Dragão Fashion Brasil. Quando a gente divide, a gente transforma! Eu acredito muito nisso!”, completa a estilista.


















































 

 

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