Pela segunda temporada consecutiva, cinco marcas de diferentes partes do Brasil desfilaram suas coleções através do projeto Top5 – uma parceria do IN-MOD com o SEBRAE, dentro da programação do São Paulo Fashion Week. A iniciativa visa, em 12 meses, acelerar o crescimento das empresas oferecendo consultoria de moda, negócios e design dentro do maior evento de moda da américa latina. Borana (ES), Kalline (SC), Karine Fouvry (RJ), LED (MG) e Vankoke (RN) são as apostas do projeto.

Com foco nos pequenos negócios do mercado da moda, O IN-MOD — Instituto Nacional de Moda e Design – em parceria com o Sebrae criou o programa de aceleração de negócios TOP5. O projeto cria oportunidades para que microempresários da moda, que compõem 94% de toda a cadeia produtiva de moda, possam acessar o mercado de luxo e ganhar novas perspectivas dentro deste nicho. As marcas participantes contam com um programa de consultoria com foco em produto e negócio, e apresentam suas coleções no São Paulo Fashion Week.

Na edição 45, as grifes Borana (ES), Kalline (SC), Karine Foury (RJ), LED (MG) e Vankoke (RN) fazem sua segunda apresentação nas passarelas da principal semana de moda do hemisfério sul, em um desfile único que aconteceu no dia 24 de abril, às 17hs, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. “Os pequenos negócios, que são 98,5% das empresas do país e respondem por 54% dos empregos formais, estão conquistando espaço também na cadeia produtiva da moda de alto valor agregado. E o SPFW se encaixa perfeitamente no projeto do Sebrae de apoiar as empresas de moda e se desenvolver e conquistar novos mercados, até fornecendo para grandes marcas. Quanto mais competitivas as micro e pequenas empresas forem, mais empregos serão gerados para o setor”, analisa o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos.

Por meio do convênio Contextualizar na Moda III, voltado para a construção e fortalecimento de relações sustentáveis na cadeia produtiva da moda, o projeto TOP5 está em sua segunda edição e os cinco estilistas participantes fizeram seu desfile inaugural na temporada passada do SPFW. Um time de experts, incluindo consultoria de marketing, marca e novos negócios com Márcia Matsuno e curadoria de análise de informações, processos criativos e desenvolvimento de produto com Olivia Merquior, busca orientar os empresários, desde a estruturação das coleções até o contato com os fornecedores. “A preparação para esta temporada do SPFW foi focada no desfile, quando os estilistas foram estimulados a analisar e definir o posicionamento da marca e o produto que será apresentado. A consultoria busca ajudá-los a contar sua história, mostrar seu DNA e encontrar suas inspirações para a coleção”, afirma Clarissa Guimarães, gestora do projeto no INMOD.

Saiba detalhes de cada um dos desfiles:

Borana (ES)
Com inspiração em num estilo leve e essencialmente brasileiro, a grife de moda praia Borana apresentou na passarela do SPFWN45 dez criações assinadas pela estilista Patiara Aguiar, que se inspirou em uma vida simples, cheia de cor e em contato com a natureza para criar sua coleção de verão, Vida na Vila. Com peças estampadas à mão, em estilo aquarela, e mostrando elementos da vida simples com pés descalços, os biquínis e maiôs da grife ganham detalhes artesanais e rústicos em madeira de reflorestamento. A marca escolheu artesãos locais para criar e compor esses acessórios. Para o desfile no SPFW, a estilista criou ainda peças que complementam os looks praia como tops no estilo cropped, saias longas e quimonos. A Borana exibe na passarela dez looks com muita lycra estampada, lycra texturizada, viscose, linho e macramê.

“Depois de nosso primeiro desfile, nossa apresentação na temporada anterior da SPFW, houve grande repercussão da marca entre nossos consumidores. Tudo o que nós apresentamos na passarela, nós vendemos. Para este desfile, trouxemos peças bem tropicais sem perder a identidade colorida da marca, leve e essencialmente brasileira. Investimos em um trabalho puramente artesanal, com todas as estampas feitas à mão e no estilo aquarela. Nas peças, trabalhamos com elementos bem brasileiros, como o macramê, a corda, as bolinhas de madeira à base de reflorestamento e acessórios em palha” conta Patiara Aguiar, designer da marca.

A beleza do desfile foi assinada por Robert Estevão, que escolheu para os cabelos o visual praiano, mantendo os fios levemente ondulados, sem grandes produções. A make apresentou pele bem corrigida, trazendo um ar saudável. O acabamento ficou por conta do blush rosado bem natural, lábios delicados e hidratados e olhos esfumados.

Kalline (SC)
A marca apresentou peças que representam o mundo em transição. Novas estruturas começam a se desenhar num horizonte ainda incerto. E, no portal para um novo mundo, os sentidos de abrigo e proteção são ressaltados por casacos alongados com padronagem de matelassado em formato favo. Migrar para um novo espaço tempo em busca de um porto seguro. Essa é a ideia da Kalline, marca com tradição nas peças em couro, que apresentou na passarela da SPFW a coleção Hangar, com proposta de sobreposições para o inverno 18/19. Com tradição no mercado de couro há mais de 25 anos, a grife aposta em novas superfícies para o couro com cores holográficas e efeito molhado em clássicos trench coats e sobreposições que representam a transição para um futuro onde a voz interior falará mais alto. Com estilo clássico e casual, trabalhando sempre com couro, matéria-prima nobre e de manuseio e produção bastante artesanal, as peças tem acabamento refinado e oferecem conforto ao vestir.

“Desde nossa participação no projeto, sempre considerei a proposta um desafio. Trabalhamos com couro em sua forma tradicional e clássica há 27 anos, desde a fundação da empresa por meus pais. Depois de nosso desfile de estreia, enxergamos a imensa capacidade de ousar e explorar um novo estilo do nosso design. Na coleção Hangar estamos aperfeiçoando técnicas específicas para se trabalhar o couro com aplicações no próprio tecido, inspiradas nos movimentos dinâmicos da natureza e a busca pelo novo mundo” explica Eduardo Rizzoto, estilista da marca.

A beleza do desfile foi assinada por Robert Estevão, que escolheu para os cabelos um look natural, deixando os fios com volume. A make apresentou pele bem corrigida, trazendo um ar saudável. Os modelos femininos e masculinos desfilaram um esfumado esfumado poderoso nos olhos, deixando o visual bem marcado.

Karine Fouvry Resort (RJ)
Reconhecida por sua visão autoral e cosmopolita de moda resort de luxo, Karine Fouvry tornou-se referência na confecção de kaftans e quimonos sofisticados de seda ou linho, usando técnicas tradicionais de bordado e crochê, junto com estampas vibrantes. Essas peças exclusivas e atemporais são fluidas, sensuais e possuem versatilidade, ideais tanto para o dia, quanto para a noite, perfeitas para o Brasil e também para viagens afora. Na passarela da SPFW, a estilista apresentou a coleção Gipsy, propondo peças fluidas e misteriosas, trabalhando com crochê e macramé tradicional, compondo looks desta coleção simbólica. “Uma mulher boêmia”, de alma livre e dona das próprias regras, sua coleção mostra uma afinidade forte com a natureza e os elementos que a integram, a espiritualidade junto com a liberdade se traduzem em como se veste, com fluidez, exuberância. Ela é filha do oceano e da lua, ela é Gaia. “Ela nasceu para ser livre, deixe-a ser livre e você nunca a perderá.”. É assim que a designer francesa Karine Fouvry imaginou uma musa boêmia e etérea para narrar sua coleção Inverno 2018.

“A ideia era apresentar melhor fluidez nas nossas peças e uma silhueta mais longilínea, que é o nosso principal objetivo. Busquei melhorar a execução de nosso trabalho, incluindo acessórios e joias, nascendo um desejo e uma necessidade de fazer parceria com outros artistas. As bolsas são da marca Anne Froes e a designer que assina os acessórios é a Aranha”, explica a estilista Karine.

A beleza do desfile foi assinada por Robert Estevão, que escolheu para os cabelos um look natural, deixando os fios com volume. A make apresentou pele bem corrigida e ganhou destaque nos olhos, com um delineador em formato geométrico.

LED (MG)
Em Apocalítica, a LED expande sua reflexão sobre a diversidade dos corpos, que permeou os primeiros anos da marca para além da identidade de gênero. A experimentação, aliada ao design que subverte o tradicional, é ferramenta de questionamento e resistência à normatividade. O posicionamento de contracultura é percebido também na forma de desenvolvimento do trabalho da marca. Enquanto a moda tradicional se baseia nas estações do ano, a LED aposta em coleções menores e atemporais. A escolha dos materiais, cores e acessórios se descola da variação climática para se basear em narrativas. Os moldes sempre muito amplos e carregados em volume procuram não demarcar os limites do corpo. Para a N45, a LED aposta em uma cartela de cores intensas e materiais inovadores como plataforma de minuciosos trabalhos manuais, já em escassez na cadeia produtiva da moda. O crochê, que marcou o desfile de estreia no SPFW, foi ressignificado em novas tramas e combinações para esta coleção. As “colabs”, que permeiam a trajetória da LED, seguem como um dos pontos-chave para o desenho da figura proposta por Apocalíptica. Os acessórios, calçados e bolsas usados no desfile e na campanha foram desenvolvidos em parceria com outras promissoras marcas mineiras.

“Essa coleção fala sobre as bruxas da atualidade, apocalípticas, as personagens de maior perseguição à todas as minorias que temos atualmente no Brasil. Evoluímos a identidade da nossa t-shirt com o emblema ‘bicha power’ para ‘bicha apocalíptica’ nessa edição.

“Parem de nos queimar’ é a mensagem que quero passar, me referindo a todas as minorias perseguidas como forma de protesto. Desde cedo aprendemos os padrões que devemos seguir, a maneira que devemos nos portar, as escolhas que devemos fazer. Não seguir essas normas sociais é uma forma de protesto, é uma forma de nos posicionarmos e mostrarmos o que realmente somos: diversos, múltiplos, plurais”, explica Célio Dias, criador da marca.

A beleza do desfile foi assinada por Robert Estevão, que maquiou homens e mulheres mantendo a pele limpa e corrigida, sem muito brilho e escolheu cores fortes para delinear os olhos e pintar os lábios, criando um visual combinado.

Vankoke (RN)
A marca potiguar da empresaria e estilista Adriana Patrícia, homenageia o trabalho da artista e botânica britânica Margaret Mee (1909-1988) em sua segunda participação na passarela do São Paulo Fashion Week. A coleção é inspirada no tempo em que ela viveu no Brasil quando fez diversas expedições pelo Rio Amazonas e seus afluentes, coletando e pintando espécies magnificas da flora tropical. A sensibilidade artística, aliada ao rigor técnico dos desenhos e à sua personalidade, alertaram o mundo para o perigo de extinção de centenas de espécies, ameaçadas pela devastação das florestas do Brasil. A moda, com seu grande alcance e influência, pode ser um vetor para que o trabalho de consciência ambiental seja uma prática comum para todos. É com esse pensamento que a Vankoke apresenta sua coleção de verão 18/19. As plantas catalogadas por Margaret Mee servem de inspiração para peças em seda e linho, que receberam as estampas e pinturas artesanais das artistas Tatiana Ayder e Pati Lobo. As peças para o verão da Vankoke aparecem com muito volume, babados e tons pasteis. As listras, um clássico das padronagens
também fazem parte do verão 2018/19 da marca. Uma exposição de arte através das roupas com obras feitas para valorizar a silhueta feminina.
Nós saímos do nosso mundo e mergulhamos neste universo do SPFW que apresenta grande visibilidade para nossa marca, é ótimo ouvir o feedback de outros estilistas que nos orientam para um próximo passo” conta a estilista Adriana Patrícia.
A beleza do desfile foi assinada por Robert Estevão, que escolheu manter os cabelos presos em coques bem alinhados. Na maquiagem, pele corrigida e natural, com lábios hidratados e pouco brilho. Os olhos receberam um toque esfumaçado, ganhando destaque.

Desfile

Backstage

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